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O AtleTiba guarda muito mais do que meros resultados, trata-se de um capítulo à parte do futebol paranaense. O jogo de amanhã será o 347º (tricentésimo quadragésimo sétimo) confronto entre as equipes. A história começou no ano de 1924, o primeiro embate ocorreu de fato em uma partida de 30 minutos válida pelo Torneio Início daquele ano, com a vitória do Atlético por 2 x 0, mas o jogo que realmente vale para as estatísticas valeu pelo Campeonato Paranaense do mesmo ano, com a vitória do Coritiba por 6 x 3, no Estádio Parque da Graciosa.
A primeira vitória do Atlético válida por campeonatos oficiais só aconteceu em 1927, pelo placar de 2 x 1, na então Baixada do Água Verde. Apesar do jogo já ter uma rivalidade bastante acirrada, a primeira decisão de campeonato entre rubro-negros e alviverdes só aconteceu em 1941, na qual o Campeonato Paranaense teve o Coritiba como campeão. Até se chegar aos finalistas foram dois turnos, Atlético campeão do primeiro e Coritiba campeão do segundo, na final uma melhor de três. Na primeira partida, realizada o Joaquim Américo, vitória coxa-branca por 3 x 1, na segunda partida, realizada no Belford Duarte, o “Demônio Louro, Neno, bateu o goleiro Caju e deu números finais à decisão, sem a necessidade da terceira partida, sagrando-se o Coritiba como o primeiro campeão em Atletibas.
O troco atleticano veio em 1943, novamente em uma melhor de três. No primeiro jogo, no estádio Belford Duarte, os torcedores presenciaram um jogaço. O Atlético vencia por 3 x 2 faltando 7 minutos para o final da partida, até que o zagueiro Urias, do Atlético, cometeu pênalti, a torcida do Coritiba comemorava muito, mas Caju defendeu a cobrança, garantindo a vantagem do Furacão.
A segunda partida, realizada no Joaquim Américo, o Atlético logo marcou um gol, mas o Verdão foi para cima e virou. Para a descrença dos presentes o Atletico empatou e virou novamente o placar, aos 41 minutos da etapa final. O detalhe é que o Rubro-negro jogava, desde os 28 minutos, com praticamente 10 jogadores, já que Batista se contundiu e teve que ficar em campo “fazendo número”, pois não eram permitidas alterações.
O Atletiba ainda teve muitos outros momentos marcantes, mas se for feita uma análise fria, com base em números apenas, o Coritiba comemorou mais que o Atlético, foram 133 vitórias do Verdão, contra 108 do Furacão e 105 empates, com 529 gols marcados pelo Coritiba e 476 pelo Atlético.
Outra análise fria e calculista, sem muito de fundo científico aponta que para tirar essa vantagem de vitórias o Rubro-negro levaria no mínimo cinco anos, isso se nenhuma das equipes cair para a 2ª divisão ou que haja uma fórmula que permita o confronto de ambas pelo certame estadual e levando-se em consideração que ambas se enfrentam em média 4 vezes por ano, duas no Campeonato Paranaense e duas no Campeonato Brasileiro. Ou seja, o Atlético teria que vencer todos os jogos contra o Coritiba nos próximos cinco anos.
Para tirar a vantagem e o saldo de gols do Coxa, o Atlético teria que vencer todos esses jogos pelo placar de 2 x 0. Obviamente estas são situações hipotéticas, mas valem como análise da vantagem que leva o Coritiba na análise dos confrontos contra o arquirrival.
Apesar da desvantagem nos números, o Atlético leva vantagem em alguns outros quesitos, por exemplo, em decisões de campeonato por Atletiba, o Furacão levou a melhor sete vezes contra seis do Verdão. Já o milésimo gol nos clássicos foi marcado por um atleticano e foi neste ano de 2011, no Atletiba de 20 de Fevereiro, quando o Coritiba venceu por 4 x 2 no Couto Pereira, quando o argentino Federico Nieto marcou o primeiro gol do Atlético.
Atualmente o Coritiba mantém um tabu de dez jogos sem derrota para o arquirrival, mas o maior jejum do Atlético em clássicos é de 14 jogos que ocorreu entre 1977 e 1979. O curioso é que justamente quando o Atlético quebrou esse tabu deu início ao maior jejum do Coritiba em clássicos, foram 8 jogos sem vencer o Rubro-negro, jejum que durou até 1983.
Já a maior goleada e o maior artilheiro em um só jogo dificilmente serão batidos nos próximos confrontos, o placar mais elástico pertence ao Coritiba, foi um 6 x 0 em 1959 e o jogador que mais marcou em um Atletiba foi Ninho, do Coritiba, na vitória por 6 x 3 em 1924, justamente no primeiro clássico oficial entre os dois, tabu que dura até hoje.
O mesmo vale para o jogo com mais gols, na verdade foram dois, o que acabou em 7 x 4 para o Coritiba em 1930 e um 6 x 5 para o Atlético em 1951, dificilmente veremos um Atletiba na nossa era com tantos gols assim.
Em 2011 já foram dois confrontos, com vitórias do Coritiba por 4 x 2, no Couto Pereira e 3 x 0, na Arena da Baixada, ambos válidos pelo Campeonato Paranaense. No jogo de amanhã o Coxa espera vencer mais um, mas Atlético está louco para vencer a primeira do ano contra o maior adversário. Por isso é que esse jogo deve ser marcante na história do duelo.
O que resta agora é esperar que aconteça um excelente jogo, digno da história dos clubes e que nenhum evento extra-campo estrague o brilhantismo de mais um grande clássico Atletiba, que certamente será mais um capítulo lembrado pelas torcidas. Quem sabe lembrado com felicidade por uns e tristeza por outros, mas assim é a história dos AtleTibas.
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