Coluna do Torcedor: O Futebol Negócio conheceu o Futebol Paixão, por Stanger Pereira da Silva


Nesses meu 37 anos de vida, completados, aliás, numa data duplamente festiva, pois foi o dia dos pais que pude comemorar com meu pai e com meus filhos e também pude ouvir o meu querido Tubarão voltar à elite do futebol paranaense.

Mas sempre ouvi falar em equilíbrio. Tudo na vida existe sempre o seu contrário. E meus pais, minha esposa, meus filhos, meus amigos e a vida em si, me mostraram que o segredo da vida é a busca da felicidade, mas sempre tentando equilibrar as coisas.

Precisamos das coisas que tem o seu lado bom e precisamos controlar as coisas que podem ser ruins, de forma que uma não atrapalhe a outra e que a vida em si viva em harmonia.

Eu acompanho o futebol, desde pequeno, passando por ir em 81 no Estádio do Café, onde ali eu não sabia exatamente o que era o futebol, jogadores, torcida, etc. Mas fiquei feliz, por ver meu pai e meu tio felizes com um título do Londrina no campeonato paranaense.

Depois tive uma experiência não muito boa, no saguão da Santa Casa, onde meu pai trabalhava, vi a derrota daquela maravilhosa seleção brasileira para a Itália.

A partir dai comecei a acompanhar o futebol como um todo, mas comecei a tomar gosto pelo Londrina Esporte Clube em 1991. Aí virei torcedor desse clube e nunca mais parei.

Vi outros títulos e vi quase uma ascensão à primeira divisão brasileira, mas vi também rebaixamentos seguidos, dirigentes mal intencionados e muitas derrotas, que a cada dia que passava, quando os torcedores achavam que iria acontecer algo de bom, vinha uma ducha de água fria.

Mas voltando ao título inicial, vi muito a paixão dessa torcida maravilhosa inflamar, mesmo nos momentos ruins, que graças a dirigentes inescrupulosos ou mesmo dirigentes que eram apaixonados como nós, mas que não tinham um respaldo por trás, um conhecimento de futebol, uma situação profissional e que sucumbiram com os resultados dentro de campo.

Ao mesmo tempo, em alguns anos atrás quando víamos parcerias, onde quem mandava no futebol tinha dinheiro, tinha estrutura, montavam grandes times, chegavam a finais muito importantes, mas que não se via o outro lado bonito da moeda chamada futebol. A paixão, a torcida numerosa e vibrante nas arquibancadas, vários torcedores com a camisa do seu clube após uma conquista e muitas vezes um time que ia bem no campeonato com um nome, e no outro ano acabava a tradição e o nome do clube mudava, a sede do clube mudava.

Hoje, estou vendo uma coisa que não exista quem não acredite que dará certo. O Londrina Esporte Clube, time com uma tradição de tantos anos, que nunca mudou seu escudo, nunca mudou o seu nome, nunca mudou suas cores, nunca mudou de cidade, que já foi campeão paranaense, ganhou um título nacional, ganhou títulos em suas categorias de base, que tem torcedores espalhados pelo mundo inteiro, que tem gente com camisas de 1977, uns que tem as camisas de cada ano que se passou e um nome que se fala, todos se perguntam: Nossa! Cadê esse time de tantas tradições? O que aconteceu?

Um time que tem uma torcida apaixonada, que ninguém pode colocar defeitos. Quantos e quantos campeonatos, mesmo o time lá em baixo, sendo rebaixado, tinha uma média melhor que a maioria dos concorrentes, só perdendo muitas vezes para a dupla mais tradicional do futebol paranaense. Nós, aqui em Londrina, sabemos exatamente o que é o apoio incondicional e a paixão dessa torcida, independente do momento em que ele esteja passando.

E agora, vemos uma empresa, de um gabarito onde um dos sócios, tocou o time do Iraty, nem sempre sendo campeão, mas sempre ali disputando as primeiras posições, que foi campeão estadual, que tem um sócio que é um dos maiores empresários de futebol do mundo, que tem amigos do quilate de Wanderley Luxemburgo e que adquiriu, reformou e fez de um antigo clube da cidade, um dos centros de treinamentos, alojamento e refeições, sendo um dos melhores do Brasil. Com a potência de alojar um Flamengo, trazer a mídia nacional esportiva inteira e um pedaço da internacional aqui para a cidade de Londrina.

E montar um time, que se não foi 100% na competição, foi sempre superior. Sempre na frente, melhor ataque, defesa menos vazada, artilheiro do campeonato, campeão de um turno e vice do outro por uma fatalidade dos 5 minutos inesquecíveis de Foz. E com esse time, com essa campanha que fez simplesmente, na primeira fase, onde ocorreram 9 jogos em Londrina, dos 10 maiores públicos do campeonato, as 9 primeiras foram os públicos do Estádio do Café.

Acho que por esse público significativo e pela venda das camisas que quando falaram o preço inicialmente, muitos falaram: “98 reais? Para uma segunda divisão? Que absurdo! Que caro!” Mas pra quem não foi a nenhum desses 9 jogos no café, garanto que quase um terço das camisas do Londrina no estádio, eram as novas camisas. No segundo jogo, já foi quase metade das camisas do Londrina presentes, eram as novas camisas. Só nisso, eu não estive ao lado do Sr. Malucelli, mas eu tenho certeza que isso já mexeu com ele e ele começou a sentir e ver que quando alguém aqui da imprensa ou de pessoas ligadas ao Londrina, em que falavam que se alguém montasse um time competitivo na cidade, a torcida iria comparecer e apoiar, ele começou a acreditar e ver um pouco o que é a torcida do Londrina.

O encontro final desses dois lados importantes do futebol, o Negócio (profissionalismo, estrutura, seriedade, transparência, respeito ao clube e seus torcedores) e a Paixão (os torcedores que vão até nos estádios mais longínquos do Paraná e do Brasil, o torcedor que quando o time toma um gol dentro de casa e começa a gritar e apoiar ainda mais o time, que está presente mesmo nos momentos ruins). Domingo, após o jogo em Rolândia, a torcida invadiu a Avenida Higienópolis, ponto tradicional que os torcedores dos times de São Paulo e Rio vão para comemorar. Foi ali, que milhares de camisas alvicelestes, foram comemorar o acesso para a primeira divisão do paranaense.

Foi ali, que alguns torcedores pegar o Sr. Malucelli e carregaram nos braços, mostrando sua gratidão por devolver uma vaga que nunca deveríamos ter perdido. Os jogadores, comissão técnica e a diretoria, desfilaram em carro aberto do corpo de bombeiros, pela cidade, saudados por milhares de torcedores. Muitos nunca tiveram essa experiência, nunca viram com certeza uma demonstração de carinho e paixão como essa. Foram para a sede da torcida Falange Azul e lá comemoraram também.

Agora imaginem a continuidade desse trabalho profissional aqui em Londrina e o aumento dos números de torcedores e a mesma paixão de sempre? Não sou o dono do futuro pra saber o que vai acontecer.

Mas eu acredito que se tudo der certo, a fórmula Profissionalismo + Paixão fará a história do Londrina Esporte Clube nos próximos 10 anos será totalmente diferente dos últimos 10 anos.

Parabéns a estrutura investida e parabéns a nós torcedores. E estaremos com certeza na final para ao lado de todos comemorarem o acesso e empurrar nossa equipe para o título.

 

O Tubarão Voltou!!!

 

 

 

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