Nos mais de 100 anos de história, as conquistas do futebol paranaense em âmbito nacional se limitam a dois títulos brasileiros da primeira divisão e seis da segundona. Além de uma final de Libertadores, com derrota. Comparado aos times gaúchos, a diferença é brutal. Eles já conquistaram dois Mundiais Interclubes, quatro Libertadores, uma Copa Sulamericana, cinco Campeonatos Brasileiros, além de seis Copas do Brasil.
Comparei o futebol paranaense com o gaúcho, justamente por, assim como nós, eles serem de fora do eixo, e pelo fato de Porto Alegre ter menos habitantes que Curitiba. Talvez, um dos principais aspectos que sempre fez deles grandes, são as competentes administrações que passaram por lá. São dirigentes que comandaram o clube como uma empresa, profissionalizando todos os setores e oferecendo um plano de sócios atrativo, para gerar uma renda mensal através da própria torcida. No entanto, será que é somente isso que precisa para mudar? Na minha concepção, não. O exemplo que uso é sempre o do Atlético-PR.
Com a chegada de Mario Celso Petraglia, em 1995, o clube se reestruturou, seguiu essa tendência, criou um grande patrimônio e além de conquistar um título brasileiro, chegou a ficar em 2º lugar na Libertadores e no Brasileiro. Campanhas dignas de aplausos, principalmente para o futebol paranaense, que sempre foi coadjuvante nos campeonatos. Porém, mesmo com toda essa estrutura e boas campanhas na década, o Atlético brigou pelo rebaixamento durante quatro anos consecutivos, mostrando que precisamos mais do que uma boa administração para mantermos uma regularidade e crescermos de verdade.
O principal motivo de hoje não termos o devido respeito que merecemos perante o Brasil, é devido a nossa Federação. Cito alguns exemplos históricos, que poderiam ter mudado para melhor a história dos nossos times, se não fosse nossa falta de representatividade.
Em 1989, o Coritiba tinha um time de encher os olhos, brigava ponto a ponto pelo Bi Campeonato Brasileiro com o Vasco da Gama, porém, em uma determinada rodada da competição, a CBF colocou o Coxa para jogar antes dos cariocas. O clube paranaense ganhou na justiça o direito de fazer a partida no mesmo horário dos rivais e não compareceu no horário marcado inicialmente. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira conseguiu caçar a liminar do Coritiba e rebaixou o clube para a segunda divisão nacional. Os anos seguintes a isso estiveram entre os piores da história alviverde, deixando o Coxa em um jejum de 10 anos sem títulos.
Já em 2000, na Copa João Havelange, o Clube dos Treze recusou a presença do Paraná Clube entre as principais equipes, o colocando no Módulo Amarelo, equivalente a Série B do Brasileirão. Na ocasião, o tricolor ainda voltou para série A no mesmo ano, conquistando o título em uma partida contra o São Caetano. Apesar de o Paraná ter se recuperado, esse fator poderia ter prejudicado muito a equipe paranista, que sempre vinha fazendo boas campanhas.
Contudo, o exemplo mais recente, foi a final da Libertadores 2005. O Atlético-PR, mesmo tendo um dos estádios mais modernos da América Latina, foi proibido de jogar a final na Arena da Baixada, pelo fato de o estádio ter capacidade menor que 40 mil pessoas. Na época o rubro-negro instalou arquibancadas tubulares, aprovadas pelo corpo de bombeiros, porém, a Conmebol proibiu mesmo assim. O Atlético teve que se deslocar até o Beira Rio e dividir o estádio meio a meio com a torcida do São Paulo. O fato prejudicou muito a equipe paranaense, que empatou em Porto Alegre e perdeu o jogo de volta para o tricolor paulista. Era um título importantíssimo que poderia ter vindo para o nosso Estado, mas se complicou por não termos a tão importante representatividade.
Além desses, também existiram outros episódios que nos atrapalharam muito ao longo dos anos. São fatores decisivos, que marcaram negativamente a história do nosso futebol e demonstram o quanto poderíamos ter ganho, se não fossem esses problemas extra campo. Casos em que nossa Federação pouco fez para mudar o cronograma, ou quando fez, foi pouco eficiente. Sem contar também, os julgamentos no STJD em que muitas vezes acabamos levando a pior e a influência da arbitragem contra os paranaenses em diversos jogos.
São momentos sem volta, que poderiam ter modificado para melhor a história do nosso futebol, e só vão ser possíveis de mudar no futuro quando tivermos, além de presidentes realmente competentes, uma Federação profissional e capacitada, que valorize nossos times e jogue a favor deles. Talvez, um bom começo seja valorizar mais o Campeonato Paranaense, que graças a regulamentos amadores, vêm se desvalorizando mais a cada ano.

Concordo. Falta representatividade.
Sabias palavras!!! concordo plenamente e ainda complemento…não acredito que algum dia nossa federação venha a ter grande representatividade, assim como o Paraná Clube, pois ambos seguem num caminho ao abismo e que parece ser sem volta…só nos resta crer na capacidade da dupla atletiba, que de tempos em tempos se revezam na “quebra de braço” pelo vaga de força estadual!!!