Este ano, fiz meu primeiro Campeonato Paranaense. Pelo Redação em Campo, cubro os representantes do norte: Arapongas e Roma. Pela Rádio Antares, repórter de campo nos jogos do meu Arapongão. Realizei meu sonho. Desde pequeno queria ser repórter esportivo. Além disso, conheci muita gente e fiz muitas amizades nos mais de 3500 quilômetros que percorri pelo nosso Paranázão.
Nesse Paranaense vi (presenciei) de tudo. Fatos engraçados, revoltantes, inexplicáveis, confortantes, inusitados… Faltariam adjetivos para classificá-lo.
Sol, calor, frio, vento, chuva… Não importava o clima. Se tinha jogo, tinha transmissão pela Antares FM. E coisas interessantes aconteceram debaixo d’água. Em Paranavaí, protegido com minha capa de chuva, na cor verde, ouvi gritos e chamados direcionados a mim: ‘Ô chuchu!’.
Na capital, chamavam-me: ‘Ô caipiiiraa’. Não sei por que, mas me senti orgulhoso e importante. Afinal, a torcida estava dedicando tempo a mim. Não estou ironizando. É verdade. Achei engraçado e não fiquei ofendido, além disso, ‘caipira’ não é xingamento. Relatos não faltam, mas vou focar dentro de campo. E serei bairrista, a exemplo da maioria das rádios da capital. Não julgo se é certo ou errado, apenas o farei neste espaço.
Ahh, como meu Arapongas foi prejudicado! Não é chororô. É o que julgo ser a verdade. Pois estive atrás do gol defendido por Danilo durante 1980 minutos, mais acréscimos. Presenciei até gol de mão (no qual o próprio jogador assumiu para a imprensa – na frente do 4º árbitro), depois de uma falta inexistente, incrivelmente marcada pelo juiz a mais de 40 metros do lance. Nesse mesmo jogo, ouvi membros da comissão técnica do time que fez o gol com a mão dizendo a seus jogadores: ‘Vamos ganhar esta p* com dignidade!’.
Dignidade? É digno vencer um jogo com faltas inexistentes, gol com a mão, jogador expulso por agressão?
Viajei cinco vezes a mais, devido à interdição do José Chiappin, e, numa delas, reportei um gol (legítimo), que seria o de empate contra o CAP, muito mal anulado pelo bandeira. Nesse jogo o alviverde foi derrotado por 2 a 0. Seria o troco pela derrota por 2 a 1 na abertura do estadual em plena Arena da Baixada? Seria a tentativa de provocar uma final AtleTiba, imaginando que o Furacão fosse realizar um segundo turno melhor que o Coxa? Enfim. Podem ter sido apenas falhas humanas, sem a intenção de prejudicar ou favorecer. Nesse caso, não acuso ninguém. Apenas relato o que vi.
A campanha do alviverde do norte foi ótima. Indiscutivelmente. Na última rodada, em jogo apenas a segunda vaga para a Final do Interior. O Cianorte era o favorito. O Arapongas tinha a desvantagem de três pontos, sete gols a menos no saldo, e cinco jogos a mais fora de casa. Resultados: Cianorte, com campanha idêntica ao do recém-chegado à elite do futebol estadual, classificado pelo critério de desempate: saldo de gols.
Finalizando. A felicidade por ter visto de perto o Trio de Ferro, por ter assistido grandes nomes do futebol nacional de perto, por entrevista-los, por ter pisado em grandes palcos do futebol brasileiro, é enorme. Do mesmo tamanho, é a frustração! Uma frase do Luiz Carlos Betenheuser Jr., em uma matéria especial para o Redação, resume bem: ‘A podridão do futebol corrói a gente com o tempo’. Ainda mais agora, às vésperas de uma das maiores marmeladas do futebol, onde o Paraná Clube tenta no tapetão (fato engraçado até, pois pessoas que nunca apoiaram, aliás, sempre abominaram, um campeonato ser decidido no tapetão, agora fazem campanha pró) surrupiar a vaga do Rio Branco de Paranaguá para se manter na Primeira Divisão.
