Sabe quanto tempo foi necessário para levantar a pirâmide de Quéops, a maior das pirâmides egípcias? Cerca de 20 anos. O Burj Dubai, o prédio mais alto do mundo, com 828 metros, demorou 1931 dias pra ficar de pé. E o Titanic, a famosa embarcação, ainda mais imortalizada por James Cameron? Exatos 791 dias.
O Coritba foi colocado em pé ontem, 508 dias após ser demolido. Em comum com as estruturas citadas, tudo o que existia antes eram os materias pra construção, sejam eles tijolos ou torcedores. E é evidente que com pouco material não se constrói algo tão grandioso. Muito menos em tão pouco tempo.
Há 508 dias, nós estávamos sendo jogados para o grupo dos clubes sem futuro, fadados ao fracasso, favoritos à Série C. Fomos chacota. E já àquela época, éramos recordistas nacionais - no tamanho da punição aplicada.
Contrariando as expectativas, não recuamos. Não esmorecemos. Não viramos a mesa, aceitamos a pena, fomos à campo, jogamos futebol. E única e exclusivamente com futebol, estamos onde estamos hoje. Meu desejo é que sejamos apresentados sempre com estes dois recordes nacionais, a maior punição e a maior sequência de vitórias, e o intervalo que as separa: 508 dias.
Quis o destino que este recorde nacional fosse alcançado no estádio Centenário, nome que nos remete diretamente ao primeiro destes 508 dias, entre várias outras decepções.
Isto não é apenas um recorde. É um pedaço de história dos mais gloriosos. Clamo a você, colega alviverde, que sempre apresente nossa marca da última quarta-feira junto com a de 2009, e enalteça ainda mais a vitória da qual você acaba de participar.
Lembro apenas que o recorde, especificamente, não aumenta nossa galeria de troféu. Vencemos o Paranaense, mas podemos ir atrás de mais. E é possível, em menos de 508 dias.
Agradeço a Gustavo Rocha Loures P. Barbosa pela colaboração, ainda que involuntária, com este texto.
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Coluna do Torcedor por Rodrigo Salvador

boa carneiro, parabéns pelo texto