Torcidas Organizadas: da clandestinidade a micro-empresas

Famosas pelas festas dentro dos estádios, as torcidas organizadas estão tomando um rumo desconhecido da grande maioria. Devido a sua outra característica, a da violência, as instituições estão deixando a ‘clandestinidade’ para se tornarem micro-empresas e, assim, buscam mudar a visão que possuem na sociedade.

Um dos principais motivos para atos de vandalismo, citado pelos críticos, é de que as torcidas não possuem vínculo fixo, ou seja, não respondem por si. Entretanto, com o passar dos anos, essas entidades – pouco a pouco – estão se profissionalizando, e atuando como verdadeiras empresas.

Na capital, as organizadas Os Fanáticos (Atlético), Império Alviverde (Coritiba) e Fúria Independente (Paraná) seguem essa tendência. Com o caixa movimentado, todas possuem funcionários e, movidas pelas vendas de materiais e mensalidades, aplicam o dinheiro também em bens materiais, tais como: sedes, terrenos, bandeiras, faixas, bandeirões e acessórios para promover a festa na arquibancada.

Para os representantes das torcidas, o fato de se tornar pessoa jurídica influenciou positivamente. “Agora, a torcida organizada pode colaborar com a sociedade, gerando renda e empregos formais, fora o lado da legalidade e das obrigações que seus diretores e associados devem seguir”, comentou Luiz Corrêa (Papagaio), presidente da Império, que registra seus associados em cartórios, com alguns documentos, como RG, CPF e comprovante de residência.

O secretário-geral dos Fanáticos, Cristiano Roche, considera que essas mudanças só tendem a contribuir com o trabalho. “A partir do momento que você é uma empresa, constituída e organizada, e trabalha de uma maneira correta, você ganha mais respaldo, credibilidade e respeito”, afirmou Roche.

Para o ‘Papagaio’, antigamente, as torcidas tinham um tom amador e, por isso, não eram respeitadas. “Era tudo tratado como uma brincadeira, sem compromisso, sem cobrança. A torcida pertencia praticamente aos seus fundadores, não havia estatuto, CNPJ ou conta corrente em nome da entidade, ou seja, só na base do ‘oba oba’, com nenhum sócio tendo seus direitos”, afirmou Corrêa.

A torcida atleticana já vem se profissionalizando desde 1999, tendo estatuto, ata de fundação, de assembléias e eleições, regimentos internos de diversos setores, marca registrada. Porém, pretendem atingir um patamar maior. “Temos o objetivo de profissionalizar todos os setores que envolvem nossa administração e também a torcida em si”, disse o dirigente.

Entretanto, a responsabilidade de ser uma empresa divide as opiniões dos diretores em relação ao tratamento da sociedade. “Acredito que ajuda bastante para dar credibilidade à entidade, mas depende muito de quem preside ou comanda a torcida. Não adianta só falar que você é sério, você tem que ter atitudes sérias”, ponderou o presidente da organizada alviverde.

Já Cristiano considera que não mudará muita coisa e aproveitou para criticar os meios de comunicação. “Quanto a este rótulo, acredito que não influenciará muito. A imprensa em geral prefere divulgar apenas o lado ruim das organizadas. As brigas, violência, vandalismo, o que vende jornal. O lado bom não dá ‘ibope’ e, por isso, não interessa, sendo empresa ou não”, analisou.

A prova de que mudou muita coisa dentro das sedes dessas instituições, é o famoso “quadro de funcionários”, que todo empreendimento possui. O quadro de funcionários das torcidas organizadas envolvem, basicamente, secretários e responsáveis pelo bar. Na Império, existem dois funcionários registrados, que trabalham na loja da torcida, cuidando do atendimento e venda de materiais. O mesmo ocorre na Fúria, que possui um funcionário registrado dentro da loja, também responsável pela comercialização das roupas.

Nos Fanáticos, existem funcionários em setores indispensáveis, segundo Roche, e por isso são remunerados. Por outro lado, a maioria faz por amor. “Diretores e colaboradores trabalham como voluntários, pois, embora as organizadas tenham se profissionalizado, alguns critérios não podem ser levados ao pé da letra, como a contratação de funcionários de fora”, comentou. “Não podemos colocar um anúncio no jornal e abrir vaga para uma determinada função, pois isso exige tempo de torcida, que envolve confiança, ideologia e muito comprometimento”, explicou.

Outra forma de mudar a imagem é nas ações sociais. A organizada coxa-branca possui o projeto “Torcido Social”, que realiza ações correlatas à manutenção geral de entidades que atendem crianças e/ou jovens carente. Já nos Fanáticos e Fúria, ambas realizam - quase mensalmente - alguma ação destinada ao público menos favorecido.Desta forma, as torcidas organizadas vão seguindo esse novo rumo e, buscando nos negócios, mudar a imagem que a maioria tem delas. Ou seja, nas arquibancadas, um exemplo. Fora delas, um problema sem solução.

- Esclarecimento

A equipe Redação em Campo tentou contato com diretores da Fúria Independente, mas a instituição – em uma atitude tomada há de cerca de um ano e meio – definiu que não dá mais entrevistas.

Comentários

  1. João Jorge diz:

    Parabéns pela matéria. Há um ano e meio atrás me formei em Administração de Empresas e o meu TCC foi sobre “Torcidas Organizadas no ponto de vista empresarial”.
    Pena que na época, as torcidas de Curitiba se recusaram a responder os questionários, então acabei me limitando às torcidas do eixo Rio-Sp. E lá eu garanto, são 10 vezes mais profissionais que aqui. Estamos engatinhando ainda, mas chegaremos lá!

    Abraços!

    • Site diz:

      Boa tarde, João. Obrigado. É, as torcidas daqui já evoluiram bastante, mas as dos eixo ainda possuem um profissionalismo maior. Infelizmente tbm não me aprofundei muito na questão, por ter feito em apenas um dia, mas quem sabe mais para frente. Abraço

  2. Diretoria Falange Azul diz:

    Excelente matéria.

    Aqui no interior, onde é muito mais difícil “fazer torcida”, nos da TFA seguimos o mesmo caminho, temos estatuto, atas de posse, regimentos, CNPJ, loja, bar e administração geral independentes e separados, ou seja, toda uma estrutura empresarial e organizada.

    Parabéns pelo texto, conte conosco.

    TFA

    • Site diz:

      Bom que gostou. Peço até desculpa por não ter entrado em contato com vcs da TFA. Acabei tendo a ideia e fiz meio rápido. Na próxima ideia que tiver relacionado a T.O, dou uma ligada aí.

  3. Alison diz:

    Esses caras falam um monte, que são sérios e talz, mais os jornalistas que fiquem nas arquibancadas adversárias deles pra ver como são sérios.
    É só dar uma olhada no youtube, pesquisar por iav ou império lá, a tof também…
    No jogo Operário x Coritiba aqui em PG foi uma vergonha, a IAV chamando pra briga, e como saíram antes do estádio, conforme decisão da PM, se organizaram nas imediações do estádio e partiram para a violência, tendo que o batalhão de choque entrar em ação para contê-los, sem contar as bombas oriundas do lado da torcida Coxa-Branca. Já no jogo de volta em Curitiba (segundo turno) apedrejaram o ônibus da torcida do Operário.
    No jogo Operário x Atlético aqui em Ponta Grossa também não faltaram bombas oriundas da TOF na saida do estádio. No jogo de volta em Curitiba não houve problemas pois a PM escoltou os ônibus da torcida do Operário, e a segurança estava reforçada na saída da Arena.
    Tudo isso prova a seriedade das empresas, e existem vídeos no youtube que comprovam tudo que citei. Fora a violência física com pedras e bombas, existe também a verbal ” a e i, pega a enxada e vai carpi”, entre outras, ou até mesmo a famosa música da TOF para seus rivais coxas-branca.

    Acho que o maior exemplo de seriedade de TO fica na amizade entre as torcidas Trem Fantasma (TTF - Operário) e Camisa Vermelha e Branca (CVB - Rio Branco).

  4. Alison diz:

    Da uma olhada nesse video aqui, e vejam a seriedade…

    http://www.youtube.com/watch?v=ZKW0P2rXlD8&feature=related

    Não tem nem o que falar, o vídeo já diz tudo, sem mais.

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