Redação em Campo entrevista Luiz Linhares, presidente do Engenheiro Beltrão

Confira a entrevista realizada por Fabia Ioscote e Rafael Buiar com o presidente do Engenheiro Beltrão, Luiz Linhares.

RC: A Federação Paranaense de Futebol relata que existem algumas pendências para o Engenheiro Beltrão não participar da Divisão de Acesso 2011, quais seriam elas? E quais providências estão sendo tomadas?

LL: Na verdade entendemos ser credores da FPF. Solicitamos um relatório detalhado dos possíveis débitos e não nos foi dado, sob a informação da tesoureira Bruna (sobrinha de Hélio Cury) de que não tinha autorização para tal informação. No TJD-PR fizemos o pagamento do único debito devido, e requeremos a Presidência do TJD PR a certidão mediante explicação de outros débitos cobrados que já foram pagos e outros prescritos pelo novo CBJD.

Outra pendência alegada na ata do pré-arbitral seria da não participação em outra categoria organizada pela FPF que não embasou juridicamente a medida. No Regulamento Geral da Competições 2010, artigo 60 a obrigatoriedade não prevê a eliminação de torneios, alias prevê uma possível desfiliação, o que teria que transitar em julgado pela Justiça Desportiva como prevê a Lei Pelé. Portanto a medida administrativa é totalmente ilegal e arbitraria. Não foi dada a AEREB o princípio básico da constituição - Direito ao Contraditório.

RC: Mas por que a Federação tomou esta atitude ao seu ver?

LL: Simples, somos um Clube que não reza na cartilha do HC, dizemos não quando temos razão. Veja o caso da arbitragem, não pagamos as taxas de um jogo do Estadual, fomos a julgamento no TJD-PR pelo fato e fomos absolvidos com base no artigo 30 do Estatuto do torcedor, parágrafo único, onde a obrigação das taxas é da FPF. HC sabe que se disputássemos a Segundona, ergueríamos esta bandeira e venceríamos, pois, já temos uma decisão na Justiça Desportiva favorável. Outro fato é eliminar a força da Futpar. HC teme que os clubes se rebelem e peçam a CBF o registro da Futpar como Liga Estadual, o que esta protegido pela Lei Pelé, basta os clubes quererem se livrar da atual entidade.

RC: A agremiação lutará por este direito, já que pelo Estatuto do Torcedor a vaga é assegurada, pelo simples fato do clube ser rebaixado de uma divisão superior no ano anterior, ou o senhor não pretende levar a questão adiante?

LL: Tudo já esta sendo analisado pelo departamento jurídico, inclusive a anulação do rebaixamento de 2010, pois o rebaixamento só se consolida com a inclusão na Segundona. No edital de convocação do arbitral da Divisão de Acesso não consta a AEREB, e isto é problema de quem administra o campeonato. Em breve medidas estarão sendo tomadas, tanto na Justiça Desportiva como na comum, pois algumas discussões não são matéria desportiva.

RC: Caso o Engenheiro Beltrão não participe da Divisão do Acesso 2011, qual será a atividade a ser realizada no ano? Quais são os projetos?

LL: O primeiro projeto é restabelecer os direitos do Clube surrupiados pelo Sr HC. Faremos também uma mobilização jurídica para anular a prorrogação do mandato deste senhor, já temos cópia das atas e documentos que provam que reunião foi uma armação e esta totalmente fora das previsões legais do código civil brasileiro. Temos apoio de vários clubes pra isto, inclusive de um da capital. E preciso por fim aos reinados de nosso futebol, já aturamos por vinte anos o Severiano, e não da pra aturar por mais doze um pior que ele.

RC: As melhorias no Estádio João Cavalcanti de Menezes têm um prazo certo para a finalização?

LL: Aqui só falta um muro de 40 metros, há uma obra de uma creche ao lado do estádio e o muro será construído ainda este mês. Os demais itens são limpeza e manutenções normais.

RC: E a torcida, o que ela diz em relação a isto, de não poder participar da Divisão de Acesso? O senhor falaria o que para eles?

LL: Não posso dizer nada sobre a não participação, porém lutaremos por nosso direito enquanto houver estâncias judiciais disponíveis e legais.

RC: A categoria de base está sendo trabalhada?

LL: Não. Nosso projeto para este ano seria a Segundona e Copa Tribuna no segundo semestre.

RC: A prefeitura tem ajudado com recursos, como em anos anteriores?

LL: Não. O prefeito daqui é amigão do HC, não sei porque (ahaha), aliás tenho conhecimento de que o HC ligou pra ele estes dias, pra mim não liga que sou Presidente do Clube.

RC: O senhor como presidente de uma agremiação, como avalia o trabalho desenvolvido pela Federação Paranaense de Futebol?

LL: HC esta acabando com o futebol do Paraná. Veja a Taça Paraná deste ano, sete times. Quando fomos campeões dela em 2003 disputamos com quarenta e oito clubes. Na final contra o Combate Barreirinha tínhamos seis mil pessoas em nosso estádio. Veja a quantidade de clubes profissionais, em 2005 e 2006 tínhamos 16 na ouro e 16 na prata, hoje temos 12 na ouro e 10 na prata e ainda acho que mais dois desistem da Segundona este ano.

Na Terceira Divisão, clubes formadores foram obrigados a participarem, na marra. Deu no que deu, tivemos cinco jogos com público zero e 70% dos jogos com menos de duzentos torcedores. Prejuízo enorme aos clubes.

RC: De um modo geral, como o senhor avalia o futebol do nosso Estado, todos os clubes, todos os envolvidos no Futebol Paranaense?

LL: Como já falei anteriormente, nosso futebol esta decadente. A tendência é piorar e bastante. A Segundona por exemplo, com pontos corridos é um suicídio. O custo é muito elevado, e sem patrocínio será difícil chegar ao final do torneio. Ano passado foi assim.

RC: E sobre a Futpar como estão os trabalhos? Se virar uma liga, o senhor acredita que teria conseqüências para o clube e outras agremiações?

LL: A Futpar é a solução para nosso futebol profissional. Como? Ser a primeira Liga Estadual dos clubes. Hoje somos escravos da FPF, que surrupia toda nossa renda, arrecada e nada paga (ex arbitragem). A FPF é um grande cartório arrecadador e quem vai contra acontece o que foi feito conosco. Com uma liga própria os clubes terão custos reduzidos de transferência e registro, arrecadações serão maiores e os clubes não terão que ficar pagando dívidas contraídas pelos maus administradores da FPF. Dinheiro este sangrado das arrecadações dos jogos. A FPF morde em um Estadual mais de um milhão e meio, isto sem jogar, sem ter time, é muita grana.

RC: O senhor tem algum comentário a respeito da saída do Coritiba da Futpar, em 2008, se isso afetou de alguma maneira o andamento do projeto?

LL: Desconheço a saída do Coxa e do Londrina. Não há nenhuma reunião prevista no estatuto da Futpar que tenha tratado da exclusão, entendo que juridicamente o Coxa e o Tubarão estão na Futpar, inclusive no dia de minha eleição, Jair Cirino estava lá na reunião representando o Coritiba. Foi inclusive por nós convidado a assumir o cargo. Alias é importante frisar, a presidência da Futpar é o Clube, representado por seu Presidente.

RC: Se o senhor quiser acrescentar mais alguma informação, fique à vontade.

LL: Tenho a agradecer o espaço dado por vocês. A imprensa do Paraná precisa atentar o setor da atual situação de nosso futebol, vocês trabalham neste setor e não querem ver nosso futebol a deriva, visto como mais um em nosso país. Precisamos voltar a ser referência. Para isto, é preciso acabar com o amadorismo que tomou conta de nosso futebol.

Devido às respostas concedidas pelo entrevistado, Luiz Linhares, Presidente do Engenheiro Beltrão, a Federação Paranaense de Futebol terá o direito de resposta.

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