Não sou de me intrometer em certas coisas, ainda mais quando está relacionado à confusão, mas o que observei voltando para casa no domingo foi revoltante. Pode ser que o que tenha visto foi “normal” para alguns, mas para mim não foi.
Fui ao Couto Pereira no jogo entre Coritiba e Roma e, como não tenho carro, voltei de ônibus. Posso voltar pelo Centro, mas, justamente por ter medo de andar à noite sozinha com camisa de time, optei por outro caminho. Cheguei ao Terminal do Santa Cândida e fiquei esperando o ônibus chegar. Nisso, chegam alguns torcedores do Coritiba, e duas meninas começam a brigar entre elas. Vale lembrar que ambas torcem pelo mesmo clube. Formou-se uma roda em volta e ninguém separava. Até mesmo a Guarda Municipal não veio separar. Somente depois que tinha acabado a briga chegou uma viatura e colocou ordem. Durante tudo isso, entrei dentro do ônibus – o ponto está situado onde a confusão se armou – e fiquei olhando o que acontecia, lá de dentro. Quando chegou uma viatura da Guarda Municipal, alguns que estavam “alimentando” a briga entraram no ônibus e ficaram ali para não serem revistados. Uma senhora e um rapaz começaram a conversar comigo sobre o que estava acontecendo. Chegou mais uma senhora, que parou na minha frente e, vendo que eu estava comentando sobre a briga, falou: “Acho que deveria mandar descer do ônibus todos esses que estão com camisa de organizada e prender” – apontando para mim. Eu não estava com camisa de organizada, não faço parte de nenhuma e não tinha nada a ver com o que estava acontecendo lá fora. Já fui escrevendo esse texto na minha cabeça no caminho para casa.
Minha indignação tem quatro pontos cruciais: brigas dentro da própria torcida e a rivalidade entre os chamados “comandos”; a falta de discernimento das pessoas entre torcida organizada e não-organizada; a generalização por parte da sociedade com relação às atitudes de torcida (vide 06/12/2009) e, o último ponto, mas o pior de todos; a omissão da Guarda Municipal.
Eu odeio briga por qualquer motivo, seja por homem ou por mulher, por time, por esbarrar no outro e esse não gostar, por qualquer coisa. Nem se estivessem brigando por um prato de comida eu aceitaria. Afinal, tudo pode ser dividido. As duas eram torcedoras do Coritiba, mas de “comandos” diferentes. O que leva duas pessoas que torcem pelo mesmo clube brigarem entre si?
Em Curitiba, esse ano, já tivemos um caso parecido com torcidas do Atlético. Claro, o que vi foi um caso de menor impacto. O fato em comum é que foi entre a própria torcida. O mal das organizadas são os “comandos”. A Império Alviverde tem seu presidente, que, aliás, tem pulso firme e repudia qualquer violência, mas existem “filiais” e cada uma delas têm um “líder”. Aí a figura do presidente é anulada. Os “comandos” têm autonomia para fazerem o que quiserem, têm vida própria e atualmente são livres. Teoricamente, eles foram extintos pela Império Alviverde, mas nunca deixaram de existir. Não fazendo comparações, mas o pensamento é como disse Mano Brown: “Você pode até sair da favela, mas ela nunca sairá de você.”
Outro aspecto é que as pessoas não sabem diferenciar o torcedor comum do organizado, ainda mais quando está relacionado a casos de violência. Voltando à 6 de dezembro de 2009, quando alguém vinha conversar comigo, já incluíam todos na confusão com comentários sempre do tipo “vocês quebraram o estádio”. Não admito que as pessoas generalizem o que aconteceu. E aconteceu isso comigo nesse domingo. A senhora queria que eu pagasse pelo que os outros estavam fazendo. Só porque vestimos a mesma camisa, não quer dizer que eu esteja envolvida. Na essência, torcedor é tudo igual, torcem, cantam, xingam, mas há alguns que fora de campo gostam de defender seu clube ou sua “marca” com as próprias mãos. Como se adiantasse…
E, por último, mas não menos importante (aliás, o ponto mais importante), foi ver que desde o Alto da XV até o Terminal do Santa Cândida, o ônibus que estava, foi escoltado por viaturas da Guarda Municipal e da Polícia Militar. Em cada estação tubo havia uma viatura, mas no terminal, nenhuma. O foco das confusões são os terminais! Em dias de clássico, o efetivo é sempre maior, felizmente. Mas de que adianta quantidade se falta qualidade?
Voltando um pouco para o futebol dentro de campo, hoje, às 19h30, em Erechim – RS, tem estreia do Coritiba na Copa do Brasil e o grupo vai jogar com a mesma formação de domingo. Lembrando que Copa do Brasil não é Paranaense e o jogo vai ser diferente dos que enfrentaram até agora. Portanto, vale marcar mais. É ter a competência de ser eficaz, mas, principalmente cuidar com lesões para que o time não fique desfalcado para o clássico.

Cibele,é triste e revoltante ver pessoas que ainda generalizam desta forma..Cmo sempre bem pontual e objetivo seu ponto de vista
Parabéns..sucesso