Por Felipe Lessa
O futebol paranaense há algum tempo cambaleava. Agora rasteja e pede água. Com uma federação que talvez apareça apenas nos fins de jogo, pra checar os borderôs e receber o que os clubes lhes devem (repare na renda e nas despesas), resta o que aos clubes além de agonizar ou morrer?
Talvez a Federação Paranaense de Futebol não seja a única responsável pela decadência, mas cabe a ela o fortalecimento daqueles que a sustentam. No entanto, o que é feito? São cobradas pesadas taxas, organizados torneios com supermando e criados tribunais alternativos para punir quem a contesta?
Quanto aos clubes, o que declarar? Muitos tradicionais acabaram por esforço próprio. Entre eles o Grêmio Maringá, pela dependência constante da prefeitura. Outros, como o Matsubara, apenas para voltar às origens de revelar jogadores. O União Bandeirante por perder sua razão de existir, com a venda da usina de Serafim Meneghel.
Já sobre os que se mantêm vivos, mas agonizam, estão dois grandes: um do interior, outro da capital. No Londrina, vencedor de três títulos estaduais e uma Taça de Prata, a morte apenas não chegou por teimosia daqueles que já pintaram o VGD* e pegaram pesado na enxada para roçar o mato que a prefeitura deixou crescer.
Em Curitiba, o Paraná Clube, que já foi considerado um dos mais ricos do país e ganhador de quase tudo nos anos 90, deixa de pagar salários, os jogadores entraram em greve e o presidente afirmou que já pensou em fechar as portas para o futebol.
Isso para não falar da dupla atletiba. O Atlético capenga na Série A do Brasileiro e se mostra displicente com a adequação da Arena ao caderno de encargos da Fifa. E o Coritiba? Desce e volta da elite nacional, mas volta e meia perde jogadores a preço de banana, como o Alex (que valeu menos que Oseias) - quando recebe, já que no caso Ariel nada entra para o clube - por despreparos contratuais.
Bom, situação deprimente para um estado que já teve dois campeões nacionais da série A, cinco** campeões da Segundona e um campeão da Terceirona. Porém, é o momento exato para o renascimento,
O futebol de hoje está valorizado e é lucrativo para todos - desde que se trabalhe para isso. Mas para ter um futebol forte é preciso abandonar velhos vícios e manias que hoje são inaceitáveis para quem tem ambições positivas, algo que parece ser almejado por algumas equipes.
Entre os exemplos negativos que ainda norteiam o futebol está o cabide de empregos e o funcionalismo. A ausência de transparência é outro problema. Mas isso é assunto pra outro dia. Reflitam.
Notas
*Estádio Vitorino Gonçalves Dias, pertencente à prefeitura, mas cedido ao clube em comodato desde 1990; Em 2009 o prefeito Barbosa Neto se recusou a renovar o contrato com o clube.
Felipe Lessa é repórter do jornal Tribuna do Paraná, colaborador do www.interney.net/blogs/deprimeira e freelancer do site globoesporte.com

0 comentários:
Postar um comentário